Literatura e identidade marcam aula presencial do curso Imprensa Jovem Online Telejornalismo

Por Thaís Brianezi, formadora do Núcleo de Educomunicação

Foto VOPO
Felipe, Erick, Caio e Thaís, integrantes do VOPO – Vozes Poéticas, encantaram os educadores com poesia engajada. (Crédito: Salete Sorares , formadora do Núcleo de Educomunicação)

Neste sábado (16) aconteceu o segundo encontro presencial do curso Imprensa Jovem Online (IJO) Telejornalismo. O evento ocorreu no auditório da Secretaria Municipal de Educação (SME) e teve como público alvo 115 educadores que até o dia 20 junho participarão da referida formação, junto com os estudantes que compõem as equipes da Imprensa Jovem nas respectivas escolas. Os outros 65 educadores também inscritos no curso já haviam participado da aula inaugural na última quinta-feira.

O grupo VOPO – Vozes Poéticas, da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) General Paulo Carneiro Thomaz Alves, da Diretoria Regional de Educação (DRE) Jaçanã Tremembé, encantou os presentes ao mostrar na prática o que literatura e educomunicação podem ter em comum: o incentivo ao protagonismo infanto-juvenil, à leitura crítica da realidade e à produção colaborativa e engajada. “A gente começou como uma iniciativa do Mais Educação federal. Mas não somos um projeto, somos uma ação social”, sintetizou o professor Felipe Yanez, um dos fundadores desse movimento que nasceu na escola e se expandiu para além dos seus muros. “Nossa escola carrega o estigma de ser ´a escola da latinha na favela da funerária`. Mas agora vão construir um CEU [Centro Educacional Unificado] onde havia a funerária. Já que estamos aqui falando de literatura e identidade, isso diz muita coisa”, completou ele.

O professor Felipe estava acompanhado de outros três integrantes do VOPO: Erick, estudante da EMEF Gal. Paulo Carneiro, e os ex-alunos de lá, Caio e Thaís. Os três deram um show ao declamar poemas de sua autoria e defender de forma convicta e muito bem fundamentada a proposta pedagógica do grupo. “Como estou falando a professores, faço aqui um apelo: não desistam de seus alunos. Deem vez e voz a eles”, pediu Caio. “O trabalho com a cultura latino-americana me ajudou inclusive a entender e me relacionar melhor com o meu vizinho boliviano”, contou Erick. “Poesia não são só palavras bonitas, mas de fantasia. A gente escreve sobre nossa realidade”, afirmou Thaís.

O outro convidado do dia, Vinebaldo Aleixo de Souza Filho, do Núcleo Étnico-racial da SME, contribui para acrescentar uma perspectiva histórica à chamada literatura periférica. “Por muito tempo se acreditou que a Imprensa Negra no Brasil começou com o OMLCK, publicado em 1915. Mas hoje se sabe que desde 1833 o Francisco de Paula Brito publicava o jornal ´O Homem de Cor`, que depois passou a se chamar ´O Mulato`”, explicou o educador, que ministra o curso “ Literatura, etnicidade e gênero”. “Eu nasci no Jardim Capelinha, como o escritor Ferréz. E foi só quando estava no cursinho da Poli que descobri ´Vidas Secas` [obra de Graciliano Ramos], livro que me ajudou muito a compreender minha história, a trajetória da minha família do Nordeste até aqui”, contou Vinebaldo.

 

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