Arte e muita emoção marcam comemoração dos 10 anos da Imprensa Jovem

Coordenador do Núcleo de Educomunicação, Carlos Lima, organiza selfie coletiva
Coordenador do Núcleo de Educomunicação, Carlos Lima, organiza selfie coletiva

Nesta terça-feira (15), o auditório Prestes Maia da Câmara Municipal (mais conhecido como plenarinho) foi palco de uma grande festa: o Seminário Nas Ondas do Rádio – 10 Anos da Imprensa Jovem. As 180 pessoas que lotaram o espaço, em sua maioria estudantes, professores e gestores participantes do projeto, foram brindados com um verdadeiro show marcado pelo protagonismo das crianças e jovens que fazem o dia a dia das 150 agências de notícias espalhadas nas escolas municipais da cidade. Não faltaram relatos e depoimentos emocionados e emocionantes, música, declamação de poesia, cobertura educomunicativa, lançamento do concurso de fotografias “Meu Bairro é Zica” e, ao final, um animado “parabéns para vocês” cantado em coro por todos os presentes.

O seminário foi aberto com música e poesia pelos integrantes do projeto “Arte e Intervenção Social”, desenvolvido desde 2013 na Escola Municipal de Ensino Fundamental – EMEF Profº Aurélio Arrobas Martins sob coordenação do professor Daniel Carvalho de Almeida. Neste ano, eles lançaram o segundo volume do livro “Entre versos controversos: o canto de Itaquera” e conquistaram o primeiro lugar no Prêmio Paulo Freire de Qualidade de Ensino Municipal.

Ao longo de todo o evento, os jovens músicos e poetas de Itaquera encantaram o público recitando poesias de sua autoria. Os versos, de fato, colocavam o dedo na ferida de controvérsias bem atuais, como a manipulação da mídia comercial, o machismo e a tentativa de criminalizar a ocupação das escolas estaduais em São Paulo.

“Arte e Intervenção Social” brincou o público com poesia. Na foto, o coordenador do projeto, Daniel Carvalho
“Arte e Intervenção Social” brincou o público com poesia. Na foto, o coordenador do projeto, Daniel Carvalho

Os dois casais de mestres de cerimônias do seminário também deram um espetáculo à parte. Além de conduzir a programação e apresentar de forma precisa e descontraída cada convidado, os jovens Isabela Rosa, Gabriel Dias, Maria Eduarda Silva de Oliveira e Luis Felipe Oliveira contaram sobre suas trajetórias na Imprensa Jovem.

Houve ainda a exibição de dois vídeos curtos produzidos especialmente para o evento. O primeiro, uma versão condensada do documentário sobre a Imprensa Jovem feito por Tainá Shimoda.

O documentário foi o trabalho de conclusão de curso (TCC) de Tainá, que se formou neste ano em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). A jovem trabalha com educomunicação desde 2006, quando era estudante na escola Nossa Senhora das Graças e participou de um projeto. “Queria fazer o TCC sobre algo de que eu realmente gostasse. Por isso uni audiovisual e educomunicação”, contou.

O outro vídeo exibido foi produzido pelos formadores do Núcleo de Educomunicação com depoimentos de pessoas chave na história da Imprensa Jovem. O resultado pode ser conferido aqui:

Diálogo I – A voz e a vez do(a) jovem educomunicador(a)

Gabriela Vallim, Cícero Ivanilson Silva, Dodô Calixto e Laís Costa compuseram a mesa “Diálogo I – a voz e a vez do(a) jovem educomunidor(a)”. A mediação foi do professor Ismar Soares, do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) da ECA/USP, que de 2001 a 2004 desenvolveu o projeto piloto Educom.Rádio, embrião do Programa Nas Ondas do Rádio.

O professor Ismar Soares, do NCE/ECA/USP, também se rende ao selfie, com Gabriela Vallim
O professor Ismar Soares, do NCE/ECA/USP, também se rende ao selfie, com Gabriela Vallim

Gabriela contou que começou a participar da Imprensa Jovem em 2007, quando estava na 7ª série. Ela cursou Jornalismo e criou uma agência de notícias que está iniciando um projeto educomunicativo em Angola. Neste ano, representou o Brasil na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, falando sobre o movimento #15contra16, de luta contra a redução da maioridade penal. “Quando iniciei a faculdade, fiquei frustrada: ninguém sabia o que era educomunicação. Quase entrei em crise, porque não gostava tanto de escrever. Mas ter participado da Imprensa Jovem e do movimento negro me deu forças. Descobri que minha vocação é usar a comunicação para transformar vidas”, afirmou a jovem.

“Comecei a ir ao Educom.Rádio porque ia ter lanche e futebol. Mas logo fui surpreendido pela experiência de diálogo horizontal entre professores e estudantes. Ter direito a voz foi uma experiência marcante, transformadora, um divisor de águas na minha vida”, revelou Dodô. Ele também se formou em Jornalismo, estudou durante um ano e sete meses nos Estados Unidos (com bolsa de estudos conquistada por ser bom atleta) e, agora, está fazendo mestrado na ECA/USP.

Já para Cícero Ivanilson, a educomunicação inicialmente foi uma válvula de escape para enfrentar o preconceito que sofreu na escola, por ser negro e nordestino. Ele chegou a São Paulo em 2013, vindo de Crato, no Ceará. “Participei do Nas Ondas do Marili durante dois anos, mas pareceram dez, de tão intensos. A Imprensa Jovem me ajudou a consolidar e afirmar a minha identidade”, disse o jovem, que foi muito aplaudido ao afirmar que pretende seguir carreira docente, como professor de Português.

Laís Costa, que também participou do Educom. Rádio, foi uma das primeiras integrantes da Imprensa Jovem. “Eu fiz de tudo: fui mestre de cerimônias, sonoplasta, editora, repórter, formadora. É uma alegria estar aqui, rever tanta gente querida. Não consigo parar de sorrir. Se daqui a 10 anos me convidarem novamente, eu virei, mesmo que esteja nos Estados Unidos”, ressaltou a jovem.

Diálogo II – Desafios da educomunicação na rede          

O coordenador do Núcleo de Educomunicação, Carlos Lima, saudou os participantes com uma breve fala sobre as dificuldades enfrentadas pelo projeto e, principalmente, sobre o seu crescimento e vários frutos já colhidos: “A educomunicação em nossas escolas, codinome projeto Educom.Rádio, se transformou em Programa Nas Ondas do Rádio e agora em Núcleo de Educomunicação. Obrigado aos educadores apaixonados que não olham as desconfianças e levam adiante seus projetos com garra, como guerreiras e guerreiros. Obrigado aos estudantes, não alunos, por vocês têm luz, e por isso devem ter suas vozes ouvidas na construção de políticas públicas”.

O segundo painel do seminário, “Diálogo II – Desafios da educomunicação na rede”, teve o formato de depoimentos entrecortados por poesias do “Arte e Intervenção Social”. Os convidados eram: Cristina Massei, gestora de Tecnologias para Aprendizagem Diretoria Regional de Educação – DRE Campo Limpo; Maria Rita Teixeira de Araújo, repórter do projeto Rádio JMS 4.0, da EMEF Gal. Júlio Marcondes Salgado; Nalva Marques, co-coordenadora do projeto Rádio Cartola, da EMEI Agenor de Oliveira Cartola; e Silene Lourenço, formadora do Núcleo de Educomunicação.

Maria Rita, que desde 2013 atua na Rádio JMS, também destacou o trabalho árduo, a persistência e os muitos resultados que a Imprensa Jovem gera: “Perdi a vergonha, melhorei minhas notas, fiz novos amigos, conheci novos lugares. Passei a pensar mais em equipe: agora é nós, no lugar do eu. Mas tudo isso não foi fácil, de uma hora para outra: foi um processo”.

Seminário contou com a cobertura educomunicativa da Rádio JMS. Na foto, registro do depoimento da estudante Maria Rita Teixeira de Araújo
Seminário contou com a cobertura educomunicativa da Rádio JMS. Na foto, registro do depoimento da estudante Maria Rita Teixeira de Araújo

Desafios também não faltaram (e não faltam) à pioneira Rádio Cartola, criada em 2013. “Mas gente apaixonada contamina. Com muito esforço, aos poucos fomos ganhando a confiança da gestão”, explicou Nalva. “Não há muito material para educação infantil sobre educomunicação. Por isto, estamos produzindo o nosso”, completou ela.

Cristina contou que entrou em contato com o Educom.Rádio em 2004, quando professora da Informática Educativa. Por meio do seu relato, ela aproveitou para listar alguns conselhos preciosos. Entre eles: ouvir pessoas mais velhas e valorizar a experiência como material de reflexão (e não repetição automática) e compreender que um conhecimento não é mais importante do que o outro, já que eles se complementam.

Silene, que é graduada em História e está concluindo o doutorado em Ciências da Comunicação na ECA/USP, compõe a equipe de formadores do Programa Nas Ondas do Rádio desde 2010. Ela lembrou emocionada os percalços e vitórias da implementação da política pública de educomunicação da Prefeitura de São Paulo, processo que acompanha desde 2001. E arrancou gargalhadas ao justificar por que havia trazido seu depoimento escrito: “Se for de improviso, eu falo demais ou travo. Na minha época não tinha Imprensa Jovem”, brincou a formadora.

O seminário contou com tradução em libras e transmissão ao vivo da TV Câmara. A Rádio Câmara também fez a cobertura, que pode ser conferida neste podcast.

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